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sábado, 8 de dezembro de 2012

Amar sem amar

E naquele palco, era só para ele que os olhos desviavam. Nada poderia tirar dele todo o brilho e encanto de cada palavra, cada gesto, cada olhar. A rotina durou todo o período em que o grupo estava na cidade. Todos os finais de semana, fazia questão de pagar o mesmo preço para assistir ao mesmo show, que por mais que tenha sido assistido por muitas vezes, cada vez parecia ser a primeira. Não o conhecia, não sabia nada sobre ele. Mas dentro de si, conhecia a sua alma. Era perceptível a leveza e naturalidade de sua interpretação. Para ela, não era ficção, era real. Sabia que por trás de toda a maquiagem e máscara do personagem, havia muita verdade. Pra sua sorte, durou mais de dois meses. Podendo assim, desfrutar de tamanha beleza, por certo tempo, considerado não suficiente, mas, aceitável. Com o passar das semanas, ele pode notar a sempre presença de tal moça, que sentava todas as vezes no mesmo assento e tinha sempre a mesma expressão de admiração na face. Passou a sentir que devia procurar uma forma de dar atenção à expectadora que se tornou especial, pois sempre estava lá, com o mesmo sorriso, para aplaudi-lo. Então, fez seu show com o foco na linda moça. Como se só existisse ele e ela naquele lugar. Pôde notar, no fim do ultimo dia de apresentação, um sorriso partir do palco em sua direção. Mesmo sem o conhecer, sem nada dele saber, a magia do teatro fez com que ela conseguisse ultrapassar a capa do artista, e conhecesse seu interior, mesmo sem uma sequer conversa pessoal. O amava. Não sabia como, mas amava. E ao partir, tentou imaginar o que seria de suas próximas apresentações sem a sua expectadora especial. Mas sabia que ela estaria sempre com ele, não em presença corporal, mas em presença espiritual.

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